sábado, 4 de janeiro de 2014

Excruciante

Às vezes penso que as pessoas não têm noção do que dizem e para quem dizem. Palavras pronunciadas em momentos inoportunos e para alguéns que não desejam ouvir, podem ocasionar um grande dano. Como muitos já falam: O que a boca fala machuca muito mais que um soco no estômago.

Dores físicas passam com o tempo. O que foi escutado ocasiona dores excruciantes, faz o peito ficar apertado, os olhos marejados e permanece na cabeça, feito música repetida em vitrola velha. Mesmo que haja a vontade de esquecer, de deixar para lá e desconsiderar não dá, não tem como.

O mesmo acontece com assuntos mal resolvidos. Não obter respostas, não notar mudanças e não perceber evolução, tudo isso, consegue afetar na rotina, no apetite e na vontade de fazer as coisas do cotidiano. Além disso, faz sofrer, rouba as energias e a concentração. O cansaço domina e, quando ele chega, não dá para evitar.

***

A verdade é o que tempo tem passado arrastado demais. É preciso ter paciência, ser o mais racional possível e deixar de envolver os sentimentos no que está para acontecer. E se acontecer, aliás.

O cansaço que me toma afeta na forma que enxergo tudo ao meu redor. Parece que as coisas, às vezes, deixam de ter a sua cor. O marasmo toma conta, o nublado me apetece muito mais que os dias de verão. Sempre foi assim, mas agora está mais intenso.

O que importa é que, independentemente do período que isto tiver de durar, vai passar. O sorriso tomará conta dos rostos dos sofredores. Por ora, sigo meu caminho, tentando acreditar que realmente sou livre, mesmo sabendo que não sou.

Que haja ao menos um pingo de doçura no meio do caminho!



"É, pode ser que a maré não vire
Pode ser do vento vir contra o cais
E se já não sinto os teus sinais
Pode ser da vida acostumar 

Será, Morena? 
Sobre estar só, eu sei 
Nos mares por onde andei 
Devagar, dedicou-se mais o acaso a se esconder 
E agora o amanhã, cadê?".

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Memórias

Sempre me dizem para guardar as lembranças, recordar de tudo o que passou com um sorriso no rosto. No entanto, o que fazer quando as suas vontades são maiores do que está guardado no peito? O que fazer quando as suas lembranças vão além do que aconteceu e querem mais? Por fim, o que fazer quando não há uma ação a ser tomada?

A verdade é que, apesar da minha pouca idade e de tudo o que já vivi, ainda não aprendi a lidar com algumas situações. Ter a postura de quem espera, de quem não pode fazer nada... É muito estranho para alguém que sempre tomou iniciativa, sempre esteve à frente das ações. Embora eu saiba que determinadas coisas acontecem quando têm que acontecer, bom, sou impaciente. Tenho de admitir.

Se fosse seguir a minha vontade, já teria saído da zona de conforto. Com calma e serenidade, perguntaria o que está se passando. Com tranquilidade e paciência, daria um jeito de desvendar todas as entrelinhas que, até o momento estão nebulosas, perderam a cor, deixaram de ser arco-íris. Daria um jeito, sei lá. Tentaria, ao menos.

Pois é, eu me pego pensando, por vezes marejando. Às vezes tenho a sensação de que, para a alma não se calar, ela se manifesta por meio de lágrimas. Será assim até quando tudo isso passar. Até quando o que criei se desmistificar. Afinal, ilusões criadas, embora tenham um pingo de verdade, desaparecem quando menos se espera.
 ***
Só queria que as coisas fossem mais claras. Que, apesar de doer, a verdade fosse dita. Ao menos tiraria todo esse peso das costas. Ao menos cortaria o mal pela raiz. Não, eu não sou boa em interpretar as pessoas. Tenho dificuldade. E, sim, acho o silêncio uma grande bosta. E quem foi que disse que o sumiço quer dizer falta de interesse? No meu mundo, não, porra.
 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sobre as expectativas

O grande problema é essa necessidade de querer estender as coisas. Nunca estamos contentes com o que temos e o que temos nunca nos supre. Ganhamos a mão, queremos o braço. Temos o braço, queremos o pescoço. E assim por diante. Tudo seria mais divertido se não fôssemos tão gulosos. Se não tivéssemos a necessidade de querer sempre mais, mais e mais.

Como diz uma amiga, as expectativas são “monstrinhos” que criamos. Elas nascem feito flor, desabrocham, ganham formato e, em seguida, apodrecem. Apodrecem porque adubamos de um modo errado, de um modo que é impossível sobreviver. E no caminho, perdem a aparência bonita e colorida, ganhando formas estranhas. De fato, a mente é a nossa pior inimiga.

Aliás, não adianta colocar a culpa nos outros, jogar as responsabilidades nas costas de terceiros. Somos os principais e únicos responsáveis por todos os delírios, pensamentos e sonhos que nossa cabeça é capaz de criar. Então, meu bem, se tudo está uma merda, é por sua culpa.

 Sem choro, por favor.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fim

Quando algo termina, é preciso aceitar. Nem as músicas mais bonitas, as melodias mais simples e as palavras mais pontuais podem reverter o final de uma história. Isso porque a troca de olhares não existe mais, as mãos dadas não fazem parte da rotina e a vontade de sempre manter contato, adormece. Adormece como um buquê de rosas que está prestes a morrer.

Histórias de amor poderiam ser mais fáceis. Histórias de amor não correspondidas deveriam ser mais claras. O que falta nos relacionamentos é clareza. Clareza de poder dizer o que se pensa, o que se acha e o que se sente. É clichê dizer, mas a gente consegue pressentir quando algo está prestes a chegar ao fim. Ou quando algo não vai começar.

Aliás, faltam indícios de que uma história não correspondida não vai começar. Esclarecer tudo com diálogo não dói, não irrita e não machuca ninguém. É preferível sofrer de uma vez, debulhar-se em lágrimas do que sentir as piores sensações do universo aos picados. O silêncio machuca. É a pior arma.

Por isso, abra a sua gigante boca. Aquela mesma boca que você usou para beijar as suas amantes, admiradoras e aquelas que juraram paixão eterna por sua docilidade. Seja capaz de se expressar em vez de se esconder atrás de seus lindos olhos.

Ps. Texto escrito ao som da música "I Know It's Over", do The Smiths. Baseado em fatos aleatórios, de terceiros.