quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O telefonema

O telefone não toca e o desespero toma conta de meu ser. Quando toca são aquelas malditas operadoras de telemarketing oferecendo produtos que não quero adquirir. Quando atendo uma chamada dessas já dou um jeito de despachar, crendo que nesse tempo perdido você poderia ter me ligado.
Aos poucos vou vendo que não, que não gasto segundo atendendo essas empresas oferecidas e que seria impossível você tentar me ligar justamente nesses momentos. E o telefone não toca, e noto que já roí todas as unhas das minhas duas mãos.
Preciso falar com você, saber de sua decisão, só que não posso fugir do combinado e muito menos te pressionar a fazer algo que não quer ao ouvir a minha voz do outro lado da linha. O jeito é esperar. Odeio esperar.
Parece que nessa espera o mundo gira em linhas tortas. Sinto que dentro de mim há um grande conflito de sentimentos, de vontades, de medos também.
Cansei de esperar, disco seu número, coloco o telefone no ouvido sem clicar no botão que faz a ligação. Hesito. Jogo o telefone longe; desejo que ele não tenha quebrado. Ok, ele não quebrou, ainda funciona, mas o mesmo ainda não toca.
Sinto que vou desistir, sento no sofá e levo minhas mãos até a cabeça, inclino o corpo como se fosse deitar. Deito, desistente de tudo. Fecho os olhos e sinto o sono chegar. De repente o mesmo é interrompido pelo telefone. Finalmente.
Dou um pulo do sofá, respiro fundo e atendo. Do outro lado da linha era você com uma respiração abafada. Não fala nada, de tanto te pressionar diz “alô” e desembesta a falar. Diz para eu esperar mais, que não tem certeza das coisas. Tento argumentar, retrucar, mas você não deixa, não se prolonga e simplesmente desliga o telefone.
Tento retornar, ninguém atende. Fico preocupada, você não se importa – ou finge que não se importa. Sento no sofá, coloco as unhas roídas na cabeça, de tão cansada pego no sono. Sinto lágrimas caírem dos meus olhos e sonho.
E o telefone não toca... ele insiste em não tocar.

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